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A evidência que faltava: estatina em prevenção primária após os 70 anos | STAREE (NEJM, 2026)

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(Mardson Medeiros, 28 de setembro de 2026) STAREE (NEJM 2026): o primeiro grande ensaio clínico randomizado (ECR) de estatina vs placebo exclusivamente em prevenção primária de idosos. NNT de 37 para eventos cardiovasculares, sem ganho em sobrevida livre de incapacidade [1]. Poucas intervenções em medicina reúnem evidência tão sólida quanto as estatinas. O LDL-colesterol deixou há muito de ser apenas um marcador de risco: estudos genéticos, epidemiológicos e ensaios randomizados convergem para mostrar que ele é causa da doença aterosclerótica. As metanálises do Cholesterol Treatment Trialists' (CTT), com mais de 170 mil participantes, mostram que cada redução de 1 mmol/L (~39 mg/dL) no LDL diminui em cerca de 22% os eventos vasculares maiores (infarto, AVC isquêmico e revascularização) e em cerca de 10% a mortalidade total. O benefício proporcional é consistente em homens e mulheres, principalmente na prevenção secundária [2]. Há, porém, um paradoxo: a população que mais sofre even...

Trombo apical no ventrículo esquerdo: qual anticoagulante usar?

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 (Mardson Medeiros) Posicionamento do ACC Scientific Statement 2026 e evidência randomizada sobre anticoagulantes orais diretos 1. O que diz o Posicionamento do ACC de 2026 O documento contém uma subseção específica intitulada "Left ventricular thrombus" (dentro de Special Considerations, p. 16). Seu conteúdo, em essência: pacientes com fração de ejeção reduzida e/ou infarto de parede anterior apresentam maior risco de trombo no VE; a anticoagulação é habitualmente mantida por pelo menos 3 meses quando o trombo está estabelecido, podendo ser mais prolongada em alguns pacientes; e os dados randomizados são limitados — o texto cita o estudo No-LVT (ref. 189) e o ensaio piloto de Jenab com metanálise pré-especificada (ref. 190) —, mas, somados a múltiplos estudos observacionais, sugerem que os DOACs, particularmente a rivaroxabana e a apixabana, são comparáveis aos antagonistas da vitamina K quanto à resolução do trombo e aos desfechos tromboembólicos, com risco de sangramen...

Trombo apical no ventrículo esquerdo (VE): o desafio diagnóstico

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  Figura 1 - Escore de Mobilidade Parietal Apical (Apical Wall Motion Score) (Mardson Medeiros) 1. O problema do padrão de referência Qualquer estimativa de acurácia para trombo apical do VE depende criticamente do comparador. A Ressonância Magnética Cardíaca (RMC) com realce tardio (RMC-RT) identifica trombo por caracterização tecidual (avascularidade), e não pela aparência anatômica, e foi validada contra a anatomia patológica: em 784 pacientes com FEVE <50%, a RMC-RT detectou trombo em 7% versus 4,7% pela cine-RMC, e foi a única modalidade independentemente associada a desfechos no seguimento (Weinsaft et al., JACC 2008) [1]. Essa mudança no padrão de referência explica por que os valores de sensibilidade da ecocardiografia após 2005 são marcadamente menores do que os das décadas de 1980–90, quando o eco era comparado consigo mesmo ou com ventriculografia.   2. Ecocardiograma Transtorácico (ETT) sem contraste A sensibilidade é modesta e a especificidade é alta — um perf...