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DIGIT-HF: Digitoxina em Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Reduzida – O que este novo ensaio clínico nos ensina?

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  Por Mardson Medeiros A digitoxina, um glicosídeo cardíaco, voltou ao centro das discussões após a publicação do ensaio DIGIT-HF no New England Journal of Medicine (2025). O estudo avaliou seu papel em pacientes com insuficiência cardíaca crônica e fração de ejeção reduzida (ICFER), já em uso de terapia otimizada.  O ensaio clínico clássico  DIG Trial (NEJM, 1997), que estudou o uso da digoxina em portadores de insuficiência cardíaca com fração de ejeção do ventrículo esquerdo reduzida (IC FER), já nos sugeriu que o digital não reduziu a mortalidade geral, mas parecia diminuir a taxa de hospitalização. Naquela ocasião, a terapia base para IC FER era limitada a inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) e diuréticos. Por outro lado, os tratamentos atualmente disponíveis incluem também betabloqueadores, antagonistas do receptor mineralocorticoide (SRAA), inibidores do receptor de angiotensina-neprilisina (ARNI), inibidores do cotransportador sódio-glicose 2 ...

Apixabana ou warfarina em pacientes com prótese aórtica mecânica On-X? PROACT Xa Trial

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 Por Mardson Medeiros /   O estudo PROACT Xa, publicado no dia 06 de maio de 2023, no New England Journal of Medicine, buscou responder esta questão [1]. Abaixo, destacamos os principais pontos do trabalho. Contextualizando o tema Pacientes com válvulas cardíacas mecânicas requerem anticoagulação ao longo da vida com antagonistas da vitamina K para prevenir trombose valvar e tromboembolismo relacionado à válvula. A warfarina tem uma janela terapêutica estreita e inúmeras interações alimentares e medicamentosas, exigindo assim monitoramento sanguíneo frequente. Essas limitações influenciam as preferências dos pacientes e decisões dos médicos de usar válvulas mecânicas versus válvulas biológicas, incluindo aquelas que podem ser implantadas não cirurgicamente. Os anticoagulantes orais diretos são alternativas eficazes à warfarina para prevenir eventos tromboembólicos e podem ser mais seguros do que a warfarina com taxas mais baixas de sangramento intracraniano em pacientes com fi...

Qual a melhor técnica de fixação do marca-passo transvenoso? FIX-IT trial

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 Mardson Medeiros, com a colaboração de Bruno Miranda  / Atualizado em 13/02/023 Pacientes que apresentam bradicardia sintomática podem necessitar de marca-passo transvenoso. Este dispositivo, no entanto, pode apresentar algumas complicações como infecção de corrente sanguínea e deslocamento do eletrodo com perda de comando, aumentando o risco de síncope ou até mesmo parada cardiorrespiratória. No FIX-IT trial, foram comparados dois métodos de fixação do marca-passo provisório (MPP) transvenoso (TV). [1] No grupo 1, foi realizada uma fixação direta na pele, sem o introdutor e sem a capa plástica (figura 1). No grupo 2,  manteve-se o introdutor venoso conectado à proteção plástica por todo cabo-eletrodo do marca-passo (figura 2). A fixação do cabo-eletrodo do grupo 1 foi realizada com fio nylon 3.0. Terminado o posicionamento do eletrodo no coração, retirou-se o introdutor venoso e em seguida realizou-se a fixação inicial na inserção do cabo-eletrodo na pele com um ponto e...